quarta-feira, 20 de julho de 2011

Nada mudou (Mais do mesmo)



Em 1985 eu fiquei frustrado por ser ainda muito novo e não ter podido ir ao Rock in Rio. Queria ver AC/DC, Iron Maiden, Ozzy, Scorpions, Whitesnake e todas aquelas bandas que a gente gosta quando é criança. Hoje, confesso que dessas, só talvez AC/DC me faria ir a um show, mas eram todas bandas de rock.

Não obstante, aquela edição do evento já tinha suas pérolas que faziam com que o nome do festival fosse, no mínimo, inadequado. Ou vocês não se lembram (ou talvez nem fossem nascidos) dos shows homéricos de Ivan Lins, Ney Matogrosso, Elba Ramalho, Gilberto Gil, Alceu Valença e Moraes Moreira, entre outros.

Analisando hoje em dia, dá para entender que o festival precisava de atrações nacionais e que o Brasil era (e ainda é) bem pobre no quesito Rock n' Roll. Mesmo assim, ainda seria difícil entender a presença de James Taylor, Al Jarreau e George Benson.

Anos depois, fiquei na mesma frustração por não ter grana para ir ao Rock in Rio II, no Maracanã. Queria assistir Guns n' Roses, Faith no More, Sepultura e Megadeath, banda que marcaram minha adolescência. Talvez o line up da segunda edição estivesse mais apropriada para o título, mas eu me perguntava: Por que New Kids on the Block? Por que Alceu, Moraes e Pepeu? Por que Information Society?

O primeiro Rock in Rio que eu poderia ter ido (porque tinha grana e idade) foi o 3, em 2001. Alguns amigos foram ver a decadência do Guns n’ Roses. Outros curtiram o R.E.M. e Foo Fighters. Eu preferi rir pela TV. Gostei das apresentações viscerais de Carlinhos Brown e Daniela Mercury, Milton Nascimento, Elba e Zé Ramalho, Moraes Moreira e Gilberto Gil. Mas nada se comparou ao dia 18 de janeiro, quando 240 mil pessoas se aglomeraram para ver 'N Sync, Five, Sandy e Junior e Britney Spears.

Quando achei que nada mais me chocava, encerra-se a primeira fase de Rock in RIO e se inicia a fase Rock in RIO in LISBOA. Que tal se o nome fosse só Rock in Lisboa? Ou, o que seria melhor, Festival de Música Eclética de Lisboa? Porque, meus amigos, pasmem, Gilberto Gil estava lá. Firme e forte! Com ele estavam Daniela Mercury e Ivete. Mas, verdade seja dita, o set de atrações do Rock in RIO LISBOA foi muito melhor do que qualquer um feito no Rio.

Seguiram-se ainda as versões II, III e IV em Lisboa e dois Rock in Rio Madrid, que tinha de Franz Ferdinand a Miley Cyrus.

Hoje, acompanho uma ou outra notícia anunciando atrações para o Rock in Rio 2011, mas sem conseguir ficar chocado. Não consigo ter raiva do Rubens Medina. Não consigo achar nada mais do que graça nas notícias e no entusiasmo juvenil na expectativa do mega show. Acho que estou ficando muito velho e calejado. Também, depois de ver Carlinhos Brown com seu corpo fechado, fica difícil se irritar com um evento de Rock que tem como atrações Claudia Leitte e Rihana. É, não fico alarmado ao ver o anúncio de Ke$ha, ou a confirmação de Shakira. Estou em estado de estupor. Vejo a notícia e dou um risinho de canto de rosto. Tudo é legal. É só mais do mesmo!
 
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