quinta-feira, 15 de abril de 2010

Caro Cão que atenta,

Não sei se você soube, mas o Arruda foi solto. Do mensalão nenhum foi preso. Palocci é prefeito, Maluf é deputador e Collor senador da república.

O Brasil não está tão moralizado como você diz. Prova disso é a CBF entregar a "taça das bolinhas" para um clube que atestou em documento a vitória do Flamengo em 1987.

O bairrismo que você diz existir na imprensa Rio/São Paulo deve ser o mesmo bairrismo que você demonstra nos seus longos textos.

Oficialmente, quem descobriu a América, em 1492, foi Cristovão Colombo. Mas, qualquer um, com um pouco mais de cultura, sabe que é provado que Erik, o vermelho, um navegador norueguês, chegou ao continente americano pelo menos 500 anos antes.

Nem tudo o que é oficial é verdade. O Sport venceu o módulo amarelo. O Flamengo venceu a Copa União. Qual dos dois campeonatos deve ser considerado? O que estavam TODOS os campeões do Brasieliro até então (exceto o Guarani), ou o que estavam os times que sobraram?

Só para terminar, caso você não saiba, o Sport Club Recife entrou já há algum tempo para o Clube dos 13 e para tanto assinou um documento reconhecendo o Flamengo como Campeão Brasileiro de 1987.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Explicação do PVC sobre a Copa União

A história começa em 1986.

Até aquele ano, os campeonatos estaduais eram classificatórios para o Brasileiro. Os seis primeiros de São Paulo, os cinco primeiros do Rio, os dois melhores do Mineiro, do Gaúcho, do Pernambucano, os campeões estaduais de outros estados se classificavam.
Assim, entre 1980 e 1986, o Brasileirão teve 40 clubes na primeira divisão (Taça de Ouro, Copa Brasil) e quatro que se classificavam do torneio de acesso (Taça de Prata, Torneio Paralelo, nome oferecido em 1986).

Em 1986, a CBF prometeu mudar o sistema e criar, para 1987, a Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro. Os 24 melhores de 1986 formariam a Série A do ano seguinte.
Terminado o campeonato, a CBF mudou de idéia. Primeiro, afirmou que não tinha condição financeira de promover o torneio. Foi quando os grandes se rebelaram e fizeram o movimento que criou o Clube Dos Treze. Os fundadores (Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Grêmio, Internacional, Atlético Mineiro, Cruzeiro e Bahia) anunciaram que disputariam um campeonato próprio, organizado por eles mesmos.
A CBF, então, se mobilizou e anunciou que faria o campeonato com 40 clubes. Os grandes fizeram uma composição com a CBF, mas criaram a Copa União, com a participação, também, de Santa Cruz, Goiás e Coritiba. A CBF criou o regulamento, que previa o cruzamento de campeão e vice do Módulo Verde (Copa União) com campeão e vice do Módulo amarelo (a suposta segunda divisão).
O Clube dos 13 dizia que não disputaria o cruzamento, a CBF dizia que haveria o cruzamento. Essa confusão se deu porque o representante do Clube dos 13 na CBF era Eurico Miranda. O Eurico aceitou o acordo com a CBF, mas, quando informou a direção do Clube dos 13, este recusou veementemente. O campeonato começou com a CBF dizendo que haveria o cruzamento, o Clube dos 13 dizendo que não aceitava e que não disputaria.
Nesse ínterim, o Brasil inteiro assistiu à Copa União como o Campeonato Brasileiro, sem dar muita atenção ao que aconteceria no final do ano. A TV Globo transmitia para o Brasil inteiro, um jogo por rodada sorteado quinze minutos antes da partida começar, às 17h do domingo. Pernambuco também vivia assim, porque acompanhava o Santa Cruz no torneio.
E assim o Flamengo venceu o Brasileirão, a Copa União, em 13 de dezembro de 1987. No mesmo dia, o presidente do Flamengo, Márcio Braga, um dos líderes da criação do Clube dos Treze, reafirmou que não haveria cruzamento.
Enquanto isso, no mesmo dia, Guarani e Sport se classificaram para a decisão do Módulo Amarelo, decidido nos pênaltis. O empate persistiu tanto que ao chegar aos 11 x 11, nas cobranças de pênalti, os dois presidentes decidiram que o torneio terminaria empatado. Sport e Guarani foram proclamados campeões empatados do Módulo Amarelo pela CBF. Tinham a perspectiva de disputar o cruzamento com Inter e Flamengo.
No início de 1988, a CBF fez a tabela. Sport e Guarani entravam em campo nas partidas marcadas contra Inter e Flamengo. Sem adversário, eram proclamados vencedores por W.O. Na decisão do “Campeonato Brasileiro”, o Sport enfrentou o Guarani, empatou o jogo de ida por 1 x 1, em Campinas, venceu no Recife por 1 x 0, gol do zagueiro Marco Antônio. A CBF proclamou o Sport campeão brasileiro de 1987.

Agora vai minha opinião:
Flamengo campeão legítimo de 1987, porque o Brasil inteiro acompanhou a Copa União como o Campeonato Brasileiro.
O Sport não pode ser descartado, porque é oficial.
E eu preciso contar a história inteira. Por isso, embora eu julgue o Flamengo o campeão legítimo, quando me perguntam, digo: Flamengo e Sport são campeões de 1987. É o único jeito de alimentar a curiosidade e contar a história inteira, como todo mundo merece saber.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Amazing Race (ou History)

Nesse feriado de semana santa, tive mais uma das minhas idéias mirabolantes. Convidado para um evento cósmico em Gonçalves-MG - O CHURRASTRA - decidimos ir de moto. Uma NXR Bros 150cc!
Fiz revisão, troquei o óleo, arrumei o farol, calibrei o pneu com 22T e 29D (essa foi uma informação difícil de eu achar e quero compartilhar hehehe) e partimos, eu e minha consorte, Bárbara, rumo à aventura de nossas vidas.
Saímos de Santos-SP em direção à Gonça-MG às 12h40 e, segundo o Google Maps, o destino ficava a 287Km, indo pela Rod. Carvalho Pinto.
Google mentiroso

A viagem entre as cidades foi tranquilíssima. Só pegamos um chuvisco em Cubatão, mas isso é normal. O resto da estrada foi de sol ou no máximo um céu nublado.
Chegamos à abençoada cidade de Gonçalves às 18h10, onde percebemos que o Google tinha nos enganado. Gonça fica à mais de 300Km de distância. Percebemos também que só os celulares da Vivo funcionam (eu e a Bárbara temos Oi). Paramos no tradicional Bar do Marcelo, em frente à Igreja Matriz e batemos um rango de cidade do interior: misto quente com queijo minas.
Quando eram umas 19h30 e a noite já cobria nossas existências, fomos para a casa onde ficaríamos alojados. Nosso anfitrião havia feito um mapa com referências, pois a casa é bem afastada da cidade. Aliás, eu já tinha ido para lá uma vez e me lembro que com uma chuva fina, a estrada de terra tinha ficado uma M. e o carro (uma Sportage) atolou no barranco.
Fomos para o tal caminho que levava à casa. Era uma estrada de terra bem larga, mas sem nenhuma iluminação. Além de não ter postes de luz, ainda rolava umas árvores de copas frondosas que impediam até a luz do luar de nos iluminar a passagem. Eu só enxergava o que estava bem a frente da moto.
O caminho tinha aclives e declives, além de curvas bem fechadas e estava difícil ler o mapa na escuridão. Eventualmente, encontrávamos alguma pousada com a porteira iluminada e era nesses momentos que aproveitávamos para olhar o mapa.
Eis que em uma dessas pausas, minha mulher olhou para uma movimentação atrás de nós e viu que dois cães estavam em nosso encalço.
- Acelera, Nando!!!!! cachorro, cachorro!!!
Sem titubear ou questionar o motivo da aflição, acelerei o mais rápido possível e fugimos dos cães.
Seguimos em frente e passamos por um vilarejo chamado São Sebastião das Três Orelhas. Porque três orelhas? Não me pergunte! Deve ser coisa de extraterrestre!
Depois do vilarejo as coisas só pioraram. Em um determinado trecho, eu parei a moto, porque no meio da escuridão eu vi dois olhos brilhantes. Joguei o farol no bicho, mas ele ficou mal iluminado. Pela altura e pelo formato da cabeça, pensei que era um lobo guará. Minha mulher achou que era uma raposa. O bicho ficou em posição de ataque e eu resolvi acelerar! Seja o que Deus quiser!!!!
Na verdade era só um cachorro em cima de um barranco e ele não fez nada. Mas olhamos para ele mais de perto e, realmente, ele tinha uma cara de raposa do caralho!
Finalmente chegamos à igrejinha de tijolos que marcava a entrada da trilha que ia para a casa.
Pera aí... Trilha? Caraca, eu tinha esquecido completamente. Nós tínhamos que sair da "estrada principal de terra" para entrar (por uma porteira) numa estrada secundária.
A estrada secundária era sensacional. Nessa só tinha espaço para passar um carro de cada vez. Nós tínhamos percorrido pouco mais de 8Km, mas o relógio já marcava mais de 20h30 e nos embrenhamos na trilha.
Foto da Estrada Principal de dia

Poucos metros depois de adentrarmos ao caminho, o primeiro atoleiro. Passei com vontade, jogando lama para tudo quanto é lado. Aliás, devo exaltar a motinho que, contrariando todos os prognósticos malvados, foi guerreira e passou pelos obstáculos.
Ao todo foram 4 atoleiros que passamos patinhando de um lado para outro, correndo um enorme risco de ficarmos pelo meio do caminho ou cairmos de cara no barro.
Continuamos seguindo na escuridão total até passarmos o primeiro mata-burro, que era nossa primeira referência!
Depois do mata-burro, nos deparamos com uma subida mega íngreme com a estrada repleta de pedrinhas que quando a estrada está seca, só serve para nos fazer derrapar ainda mais! Com muito esforço, conseguimos subir o aclive.
Mas foi só para depois descobrirmos que logo após uma curva, tinha uma subida ainda mais íngreme e extensa.
Pânico se instalando na minha companheira de viagem.
- Você não me avisou que era assim!!! Grunhiu ela numa voz fina e quase chorosa.
- Eu não lembrava disso - respondi, tentando manter a calma.
Acelerei e fui subindo. Quando estávamos à uns 50m de vencer a subida, a moto começou a ficar sem potência e eu pensei que estava em segunda marcha. Desacelerei para diminuir a marcha, mas ela não estava lá. Foi meu único e derradeiro erro. Eu já estava em primeira e nessa manobra a moto perdeu totalmente potência e começou a escorregar para trás.
Os dois pés no chão e a mão puxando o freio a disco com toda a força não foram o bastante para parar a descida desgovernada da motoca.
- Se conseguir pular, pula - disse eu desesperado.
Minha mulher pulou e ainda tentou ajudar a segurar a moto. Infelizmente, contra as leis de Newton ninguém pode e a moto só parou num barranco.
Nos levantamos e constatamos que não estávamos (muito) machucados. A moto estava desligada e naquele momento, só a parca luz das estrelas nos iluminava. Um breu de dar medo.
Levantei a moto e liguei-a novamente. Esse foi um momento digno de filme de terror. Quando liguei a moto, o farol iluminou atrás da minha mulher um touro negro em cima de uma pedra, bem a frente no nosso caminho.
Boi da cara preta de dia já é agressive. Imagina a noite

- Não olha agora, mas tem um touro atrás de ti - alertei.
A Bárbara começou a chorar desesperada. Olhou para trás e viu a figura imponente dos bovino.
- Vamos embora, por favor! Pediu ela.
Mas eu sou muito cabeça dura para desistir de uma idéia assim "tão fácil".
Descemos a ladeira e subimos na moto. Peguei um embalo e fui!!! A moto foi bem devagarzinho e fomos vencendo a subida lentamente. Passamos pelo touro numa velocidade irrisória.
Quando chegamos ao topo da subida, que terminava em uma curva, percebemos que ela NÃO TERMINAVA e continuava por mais uns 25m com uma inclinação ainda maior. A moto aguentou e nessa hora eu senti orgulho de mim, porque foi uma tarefa dificílima controlar a potência na embreagem.
Quando chegamos na parte plana eu comecei a gritar:
- Conseguimos, conseguimos!
Me lembrei do final do filme Creep Show, quando o jovem acredita que venceu o monstro de óleo do lago.
Virei uma curva e me deparei com nada menos do que 15 vacas e bois deitados na pista. Minha mulher estava de olhos fechados e fui obrigado a trazê-la de volta à realidade.
- Bárbara, olha isso.
Ela voltou a chorar copiosamente, pedindo para voltarmos.
Eu buzinei, acelerei, cheguei mais perto, mas os bois não estavam muito afim de se levantar e liberar a estrada.
Puta merda, vamos ter que voltar - pensei.
Depois de chegar tão perto (naquele momento, faltavam pouco mais de 800m para chegar na casa), estávamos voltando. De novo: descidão, mata-burro, atoleiro, cão-raposa, escuridão e cidade!
Ficamos esperando na cidade até de madrugada, mas nossos anfitriões, que deveriam chegar às 23h, pegaram congestionamento e se atrasaram.
Tomei bronca (com razão):
- Tem noção que se acontece alguma coisa com a gente na estradinha, a gente não tem celular, não tem uma viva alma (tirando os bois) e nem luz? Gritou a patrôa.
Desistimos de esperar e fomos procurar uma pousada. A busca foi sem sucesso, pois as pousadas estavam todas lotadas. Todas, menos uma, que ficava ao lado da praça da Igreja Matriz.
Entramos na Pousada do Sol e fomos atendidos pelo Seu Henrique, um senhor que parecia uma assombração. Pagamos o quarto e fomos descansar. Mas a porta não trancava e eu não iria dormir achando que o Seu Henrique iria entrar a qualquer momento com um cutelo na mão. Depois de várias tentativas, conseguimos trancar a porta e dormir.
No outro dia, logo cedo, resolvemos tentar a sorte novamente.
- De dia é tranquilo! Garanti.
Mais uma vez passamos pela estrada principal, pelos atoleiros, pelo mata-burro pela subidona e chegamos ao ponto dos bois.
Desta vez fomos mais intrépidos, pois os bois estavam de pé e tinha espaço entre eles para passarmos.
- Fecha os olhos e pensamento positivo - gritei, acelerando a moto.
Passamos no meios dos bovinos, buzinando e acelerando até chegar ao segundo mata-burro.
Finalmente chegamos à casa para passar uma agradabilíssimo final de semana no campo, regado à muito elixir e néctar de TRA!
Galera de Kruashtron Tra

Para finalizar, choveram dois dias (sábado e domingo) e a estradinha ficou ainda mais perigosa. Fizemos a volta para Santos em 7h30min, com um bom pedaço debaixo de chuva, mas agora estamos bem e inteiros!
 
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