domingo, 4 de janeiro de 2009

Para Entender a Palestina/Israel

Como a maioria de vocês sabe, eclodiu no Oriente Médio mais uma guerra pelo território chamado de Palestina pelos árabes e Israel para os judeus. Para entender o que se passa naquele pedaço de deserto infértil e sem petróleo, vou fazer uma série de três post explicativos ao melhor estilo History Chanel.

Abraão, nonaneto de Sem, que por sua vez era filho de Noé (o da Arca), teve uma conversa com Deus (o Javé) que, com sua voz de trovão disse que seu povo era o escolhido, a quem cabia a Terra Prometida. Isso fez com que o povo hebreu, descendentes de Abraão, tivesse a escritura definitiva do terreno, chamado atualmente de Israel.

Acontece que depois de várias invasões, guerras e a destruição de Jerusalém (135 dC) o povo hebreu se mudou para várias partes do mundo no evento que passou a ser chamado de Diáspora.

Os povos que lá ficaram, viveram felizes naquele pedaço de terra árida, chamando-a de Palestina. Os habitantes daquela região eram árabes e tiveram um líder que respondia pelo nome de Mohamed, ou Maomé, e ele também falou com Deus (o Alá). Alá, através de seu "único profeta" conferiu caráter sagrado à cidade de Jerusalém. Mas, é lógico, não poderia ser tão simples.

Acontece que naquele lugar, dizem que viveu um judeu que era contra todo o mainstream hebreu. Esse rapaz, que foi crucificado quando ainda tinha 33 anos, fez tanto sucesso que fez com que 1/3 da população do planeta seguisse seus ensinamentos. É óbvio que Jerusalém passou a ser um lugar mítico para os seguidores desse deus (o Jesus).

Os seguidores de Cristo organizaram cruzadas para invadir e tomar a terra santa e travaram violentas batalhas com os seguidores de Alá. Enquanto isso, os seguidores de Javé, espalhados pelo mundo não abandonavam o sonho de voltar para a terra prometida que haviam deixado.

Durante séculos, a Palestina foi um território habitado por árabes e dominado por diversos impérios, como os Turcos Otomanos e os Ingleses. Eis que, no final do século XIX os judeus espalhados pelo mundo criaram um movimento de “volta ao lar”, chamado Sionismo. Algo como se os jamaicanos rastafáris resolvessem voltar para a Etiópia, terra de seu Deus (o Jah).

O sionismo, que se desenvolveu sob a administração britânica da região, se caracterizava pela imigração judaica para a Palestina. É curioso ressaltar que, no início desse movimento, os judeus extremistas da facção Irgun é quem praticavam atentados terroristas para forçar a aceitação de tais colônias em território árabe.

Antes do movimento sionista, viviam na região cerca de 25 mil judeus e 650 mil não judeus. A partir de 1914, com o início da Primeira Guerra Mundial, o número de imigrantes judeus aumentou para 60 mil.

Com incentivo da Inglaterra, a imigração passou de 5 mil ao ano (1929) para 60 mil imigrantes anuais. Os conflitos começaram a se tornar mais freqüentes e foi criado o Haganah, uma espécie de força paramilitar de defesa dos imigrantes judeus.

Veio a Segunda Guerra Mundial e a imigração só aumentou, pois a Europa era um território perigoso para os seguidores de Javé.

Mas com o fim da Segunda Guerra Mundial, o mundo se comoveu com o holocausto perpetrado pelo nazistas contra os judeus e ficou decidido que era necessário a criação de uma nação para as vítimas do massacre dos campos de concentração. Nada melhor do que levar os hebreus de volta ao monte Sião, seu antigo lar, onde moravam árabes há mais de mil anos.

Numa resolução da ONU, facilitada por uma ardilosa manobra política do brasileiro Oswaldo Aranha, foi criado o Estado de Israel, que dividiu a Palestina em duas partes.

A partilha destinou aos judeus as terras mais férteis da Palestina, como a planície costeira e a planície do Esdrelon, além do Lago da Galiléia. Embora a população árabe, na época da partilha, comportasse 2/3 da população total da Palestina, de 1.936.000 habitantes, a ONU lhe destinou cerca de 42%, enquanto os judeus ficaram com 57% e 1% passou a ser zona internacional, pois se tratavam de lugares sagrados para os dois povos. Nessa partilha, ainda 700 mil palestinos foram expulsos de suas casas (que estavam no novo território judeu) e guardam suas chaves até hoje.

Próximo post – As Guerras Árabes-Israelenses

10 comentários:

lunatico disse...

muio bom, tucano, eu tinha aprendido isso nas aulas de história, mas tinha esquecido a grande maioria! hahaha

uma passagem interessante das guerras árabes israelenses é o massacre de sabra e shatila, que não é comentado muito, mas foi algo monstruoso e que todo mundo passa a mão na cabeça dos judeus!

Fabio Sales, CISSP disse...

Jack, acho que o fato mais importante é que Javé disse a Abrãao que a descendência dele seria enorme e a terra prometida seria dele. Como Sara não podia ter filhos, Abrãao teve um filho bastardo com Agar, uma serviçal. Ismael é o filho de Abrãao e Agar. 15 anos depois, Sara dá um filho, Isaque (depois muda o nome para Israel) a Abrãao. Javé aparece de novo, re-afirma que Canaa será da descendência de Isaque. Abrãao despreza Ismael que foge com a mãe e casa-se com uma Egípcia e forma o povo Palestino ao norte de Canaa. O povo Hebreu é formado pela descendência de Isaque.

Por isso, Palestinos e Hebreus brigam pela terra prometida.

http://www.bibliapage.com/israel.html

Jack disse...

Acho que é exatamente o ponto, Fábio. Hebreus e Árabes são povos com a mesma origem e lutam entre si porque "Deus disse" que um deles deveria prosperar, enquanto o outro seria rejeitado. Isso, logicamente, é um conto bíblico criado para ilustrar o nascimento de um fato histórico, que é a divisão das tribos semitas, mas serve perfeitamente para mostrar quão idiota é essa guerra!

Dark disse...

Grande aula de história , pelo que eu entendi, se a ONU não tivesse levado os judeus de volta pra lá a guerra não teria chegado a essas proporções(ou não)?A guerra e uma guerra tipo todos os homens de um pais contra o outro ou so sao apenas os religiosos fanáticos que brigam?Isso me fez lembrar de quando eu fui fazer catequese, eu tinha cabelo grande e fui com uma camiseta do KISS, so faltou a mulher que tava dando aula me chamar de demonio.

Bruno Vox disse...

Vou discordar de ti pela priimeira vez, Javeh não disse que um iria prosperar e outro não, os dois irmãos seriam a gênesis de dois grandes povos (GN 21.8-21).

Mas, tirando isso eu concordo que essa guerra é babaca, fazer guerra em nome de alguém que muitos acreditam que seja apenas fantasia é ridiculo.

Olha o que eu acho sobre religião:


http://cronicasvox.blogspot.com/2007/11/religio-mata.html


Abraços,

Bruno Vox disse...

Eu já estava esquecendo, no nerdcast de conspiração vc disse que haveria uma conspiração envolvendo a África, não é mesmo? Porém, não sabia o motivo que envolvia essa tal conspiração.

Eu no entanto(sim, estive pensando nisso) e cheguei a conclusão que a cospiração da África tem como base o alimento.

Nós estamos enfretando uma crise de alimentos, talvez ainda não aqui no Brasil, mas em algumas regiões do mundo "desenvolvido" que não produzem o suficiente.

O medo da falta de alimentos é algo que preocupa a ONU.

Imagina se quase 1 bilhão de pessoas se tornassem consumidores em potencial, o consumo iria aumentar e o que já falta iria desaparecer, então é mais fácil "ajudar" superficialmente do que tentar salvá-la.


Desculpa aí o comentário fora do assunto, mas eu não poderia deixar passar essa opinião.

abraços,

Siomara Gama disse...

Sempre achei uma perda de tempo entender guerras, afinal, os seres humanos deveriam ser racionais, certo? Mas esta guerra me incomoda e nunca entendi a questão palestina. Obrigada pela aula. Seus comentários foram claros e me ajudaram muito. Abraços.
Siomara

Fabio Sales disse...

Apenas citei a bíblia, pois é algo que nós brasileiros conhecemos e lógico, Judeus usam em seu favor.
Palestinos devem ter sua bíblia dizendo que o certo são eles.
Apesar de dizerem que a bíblia é inspirada por Deus, ela foi na verdade escrita e editada por homens. Cada um tem sua fé e acredita na bíblia ou outros livros se quiserem. Aos leitores, não queremos dizer quem é o certo ou o errado. Acho importante que o Jack tem postado no blog, são os fatos históricos que motivam a briga. Até mais,

Beicom disse...

Tucano não quero puxar saco, mas os 3 posts são mais esclarecedores que muitas reportagens na internet e na TV. Já pensou em fazer posts em video deste assunto?

Anônimo disse...

Estamos diante da maior complexidade possível, muitas pessoas dizem "esta guerra é mais uma besteira do ser humano", porém estamos diante de fatos não só biblicos (religiosos) e sim históricos dos primórdios do homem. Suas colocações foram magnificas e simples para o conhecimento geral.

 
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