quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Largue o saco do patrão, Senhor Jornalista!


Baseado na matéria publicada na Folha on line: MEC estuda autorizar outros diplomados a exercer o jornalismo. , o jornalista Reinaldo Azevedo escreveu no seu blog o seguinte texto:

Comento
É um avanço. Mas ainda é pouco.

Gostaria que o ministro Haddad me dissesse por que é preciso ter um canudo para ser jornalista — e também para ser ministro da Educação ou presidente da República. Quem tem de avaliar se o sujeito sabe escrever ou não e se tem talento e habilidades para o exercício da profissão é a empresa que o contrata e os leitores.

Jornalista abre abdômen ou crânio? Faz estação de metrô? Cava túneis? Arranca dente? “Ah, mas ele pode abrir rombo na reputação de muita gente”. Código Penal nele, ué! Desde quando um diploma, nessa área do conhecimento, é garantia ou de qualidade ou de ética? Isso é conversa mole. Ademais, nem diploma de engenheiro impede túnel de inundar e estação de desmoronar, não é mesmo? Mas admito: há profissões em que a comprovação do curso de terceiro grau tem de ser exigência legal.

O jornalismo tem, sim, algumas técnicas. Que se aprendem nas redações. Os cursos da área são formidáveis máquinas de deformação ideológica. São necessários alguns anos para livrar o jovem profissional da craca ideológica esquerdopata que se gruda no coitado. Transmitida, não raro, por “professores” que jamais pisaram numa redação e que não distinguiriam um lead de uma fatia de presunto. Não sabem compor uma oração subordinada, mas se querem versados em Chomsky e taras afins.

Dê liberdade à liberdade, ministro! Jornalismo só precisa de talento. O resto é papo de sindicalista analfabeto.


Agora comento eu, que apesar de não exercer a profissão, sou formado em Jornalismo e entendo a importância do curso:
Senhor Jornalista, deve ser difícil se lembrar de certas coisas do passado. Depois de tantos cargos importantes, em vários veículos de renome, fica cada vez mais longe os ensinamentos daquele professor de ética da faculdade.

O Jornalismo que hoje habita as redações dos grandes veículos de comunicação é dos mais desprezíveis. Não preciso recordar as desventuras dos tempos de Escola Base, pois temos Marcos Losekann e César Tralli aí para não nos deixar esquecer que o jornalismo de massa no Brasil não tem nada de imparcial e isento.

Entenda, esse jornalismo é feito por jornalistas formados em universidades conceituadas, que pregam incessantemente, durante 4 anos que o a ética está acima de tudo. Compromisso com a verdade, imparcialidade, isenção, etc, etc, etc. Se o resultado é esse que vemos diariamente no Jornal Nacional, Folha, Veja e Estado, fico imaginando cá com meus botões, que espécie de jornalismo teriamos se os contratados fossem pessoas que, apesar do talento para escrever, não tivessem sido bombardeadas com tais ensinamentos sobre moral (ou a falta de).

Arrisco a dizer o que seria do jornalismo:

Seria repleto de semi-beócios que escrevem muito bem e defendem seus patrões com unhas e dentes, para que eles possam contratar "profissionais" com a metade do salário, aumentando seus lucros.

Opa, mas isso já acontece mesmo com a obrigatoriedade do Diploma! Pois é, meu caro Reinaldo, então libera tudo! Deixemos a "liberdade" (prefiro chamar de caos) tomar conta de vez das redações, já que me parece um caminho sem volta.

Só para lembrá-lo, depois de abrir rombo na reputação de muita gente, ou mesmo arrasar a vida de cidadãos inocentes, não adianta apelar para o Código Penal. Certos golpes são irreparáveis, Senhor Jornalista!

9 comentários:

Fred disse...

"São necessários alguns anos para livrar o jovem profissional da craca ideológica esquerdopata que se gruda no coitado."

Fiquei com a impressão que ele está mais atacando a ideologia que a "falta de necessidade" de uma graduação.

Como centro-direita sei que esquerdista pode ser muito chato mas o próprio discurso do sr. Reinaldo Azevedo é uma ataque a liberdade de ideologia e censura nunca se justifica.

Bob Mussini disse...

"Disconcordo", Senhor Fernando.
Jornalistas bons e ruins sempre houve. Antes e depois da obrigatoriedade dos diplomas.
Puxa-saquismo de patrão também existe em todas as carreiras.

Penso que esse "Caos" é deveras um exagero.
Imagine-se um patrão. Dono e uma revista Veja. Interessado em ter milhões de leitores. O que lhe garantiria o sucesso da revista? Qualquer que fosse a qualidade que você pretendesse manter, seja para um público específico, nicho, ou grande massa, você procuraria profissionais de qualidade certo?
Seria atributo indispensável o puxa-saquismo?
Penso que não.
Sem diplomas nessa área, sem faculdades, você continuaria buscando profissionais da forma que hoje se faz: pela qualidade, pelo texto do cara, pelo talento e não pelo nome da Universidade dele.
Acho jornalismo uma área de matérias muito grande. Não existe faculdade que possa ter o mérito por todo o conhecimento que um jornalista bom hoje tem.
Exigir um diploma universitário, qualquer seja ele, já é um grande avanço. Garante um nível, digamos assim. Mas temo que exigir diploma, pode matar novos Nelsons Rodrigues, Paulos Francis e Jorges Aguiares (meu pai que curso 5 faculades e nunca uma de jornalismo).

Jack disse...

Meu caro Mussini, vejo que você não compreendeu meu ponto de vista. Não acho que o dom da escrita seja algo que se aprenda na faculdade de Jornalismo. Defendo sim, que pessoas com facilidade para escrever continuem produzindo textos para jornais. Porém, que sejam colunas, crônicas, artigos assinados com total evidência de posição.
O que eu não concordo é que se contrate por exemplo um bom escritor para fazer uma matéria investigativa. Não basta juntar as palavras, é preciso muito mais que técnica de redação.
Não digo também que todo jornalista formado seja ético. Nem tão pouco, que a falta de diploma seja requisito para afalta de ética. O problema é que na faculdade existe uma preocupação em passar algumas noções que o cotidiano de uma redação não faz questão de deixar aparecer!

Bob Mussini disse...

Agora que não entendi mesmo no queê você discordou do Reinaldo.
Da mesma forma que a faculdade "tem uma preocupação" em passar algumas noções que o cotidiano de uma redação não faz questão de deixar aparecer.
O cotidiano da redação passa outras noções que nenhuma a faculdade é possível ensinar.

Concluindo. Nessa área, mais do que em outra, a "culpa" ou "mérito" são sempre do profissonal.
profissional.

Acho que tinha que liberar tudo sem diploma nenhum. E tenha certeza,fique tranquilo que nenhum jornal contratará um escritor pra escrever um texto investigativo sem se certificar que o mesmo saiba fazer o trabalho.

Deixe que o talento do profissional e o "olho" de quem contrata façam o serviço.

QUem ganha é a qualidade.

Jack disse...

Quem contrata? A Veja, O Globo, a Record. O que eles querem � pagar pouco para espinhas de borracha que se dobram �s vontades da casa. Sem isen�o. Porque voc� acha que os veiculos brigam ferrenhamente para a libera�o do est�gio em jornalismo (que � proibido). Respondo, para despedir 2 jornalistas formados e contratar 18 estagi�rios.

Thiago Cabello disse...

(Entrando na discussão sem ter sido chamado)

Entendo o seu ponto de vista, Fernando, mas acredito que pouco importa o diploma ou a falta dele. O problema está no mercado de trabalho e não só no jornalismo. A política hj é o velho conhecido dos ADMs "mais com menos" que favorece o empregador/empresário e para o empregado só nabo.
O diploma pouco vai influenciar nisso. Se um diplomado aceitar um salário mais baixo ou uma lauda mais barata, assim vai ser...
Acho que o problema está na união das classes. Só o CRM e a OAB demonstram alguma força nesse sentido.
Eu, por exemplo, sou dentista e o CRO é uma vergonha. Qtas clínicas populares existem, sem as mínimas condições de trabalho, oferecendo serviços a um preço impoossível de se competir?
Pois bem, acho que o diploma nem sempre é necessário. Fernando Meirelles está aí para provar. O cara é formado em arquitetura e é um put@ cineasta.
Abrção

Maria, Simplesmente disse...

As pessoas tem que estudar, ponto.
Nelson Rodrigues, Paulo Freire são fora da curva, desvio padrão que ocorre em qualquer amostra, mas não representa a qualidade da amostra!!
Estamos num país onde quem sabe mais é desvalorizado. Não sou jornalista, sou biologa e canso de ver artigos na Veja falando de estudos,porém tratados como verdades ou postulados. Aí sim me pergunto quem é esse jornalista? Tem diploma, mas escreve o que vende e não a verdade, não esclarece, condiciona.

Concordo com o Jack.

Na minha faculdade mesmo haviam pessoas religiosas que não queriam saber de Darwin. Ora, como criticar algo que vc nem sabe como funciona. Todos criticam, mas sem olhar os dois lados da história, sem embasamento, sem criterios....bando de beócio!!

Bruno Vox disse...

Creio que o Jornalismo está em crise ética, não entendo que a moral se aprenda na escola, a moral é formada no ser humano, está arraigada no seu caráter. Ao meu ver o jornalismo brasileiro está cheio de mau caráter, que elegem o dinheiro e a fama no lugar da verdade e da honra.

Vale mais a pena, dá mais visibilidade destruir uma pessoa ou algo, que construir uma matéria pautada pela verdade jornalística. A imparcialidade nunca existiu, pois no momento em que o jornalista está filiado a alguma organização(seja uma empresa, sindicato, partido político, etc) ele deixa de ser imparcial, coisa que podemos ver até com certa normalidade no ser humano, mas que no jornalismo em particular se transforma em algo perigoso, a imprensa é formadora de opinião e como já sabemos uma mentira repetida muitas vezes se torna uma verdade incontestável.

A importância do diploma é irrefragável, estudei Administração por três anos e percebi que qualquer um quer ser um administrador, muitos não administradores ocupam cargos de administração nas empresas(como psicólogo, engenheiro, advogado, médico, etc). Lutamos sempre contra isso, pois sabemos a dificuldade em se fazer um curso superior e depois ver uma pessoa de outra cadeira ocupar a sua vaga no mercado.

Não sou contra de pessoas não formadas em jornalismo escreverem(Colunas, crônicas, ou o que seja...) mas sou totalmente contra essas pessoas responderem como jornalistas, não é certo com quem fez o curso. Matéria jornalística tem que se fazer por jornalistas formados e capacitados para isso.

Fazer isso com o jornalismo é marginalizar de vez uma profissão já por demais marginalizada. Achar que qualquer cidadão desqualificado ou não é capaz de produzir matérias jornalísticas é no mínimo admitir que o curso de jornalismo é uma fraude, pois para que fazer o curso de jornalismo se eu não preciso dele para exercer a profissão?

No Brasil as coisas não são levadas a sério, a educação não é levada a sério, os professores não são levados a sério, os estudantes não são levados a sério, os leitores não são levados a sério, os telespectadores não são levados a sério, tudo aqui no Brasil não passa de uma brincadeira de ciranda aonde quem fica rodando é o POVO.

Cachorrão disse...

Acho o cúmulo também (mas com o sentido contrário ao do jornalismo), o que acontece com a profissão de Administrador. Vários orgãos do governo, hospitais, escolas e etc são administradas não por administradores e sim por advogados, médicos, professores. Fica a pergunta: -A capacidade e conhecimento do ser (humano ou não) é que definem a aptidão para determinado trabalho?

PS: Meu falecido pai foi um grande relações públicas, com grande experiência em publicidade e escrevia para alguns jornais.
Frequentou uma faculdade por 04 meses, já com 43 anos.

 
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