quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

História de um Carpa - Parte 2

Depois de vencer Cláudio de Cubatão, eu passei a ser um porrador. Então, mais com a fama do que com a habilidade eu fui criando minha lenda. Duas suspensões por causa de briga e uma voadora na cara do Fabio Nélio, que o deixou banguela. Uma das suspensões me rendeu um incentivo do meu pai. Ele chegou em casa de tarde, me viu lá e perguntou: O que aconteceu? Não foi para escola? Eu disse que tinha sido suspenso por causa de uma briga e ele de bate pronto respondeu: Bateu ou apanhou? Eu disse que tinha batido no garoto e ele passou a mão na minha cabeça e disse: Muito bem!

Mas, para um adolescente de 12 anos, não existe nada mais traumático do que mudar-se de cidade. Principalmente quando isso envolve uma certa dose de bairrismo.Eu me mudei de Santos/SP para o Rio de Janeiro/RJ. Eu era um inimigo. Um paulista de merrrrda. No colégio, o jeito foi me enturmar com os alunos novos e com um maluco que também era paulista. Fechei meu Colt com André, Marcio Paulista e Manu. Não foi o bastante.

Nos primeiros dias de aula e fui me sentar na ultima carteira, como fazia em Santos (já que era um mito). Mas nessa nova cidade eles não sabiam da minha façanha. Então briguei com um gordinho. Derrubei-o da cadeira e ele se espatifou no chão. Não deu certo, o baixinho, que hoje responde pela alcunha de Azaghâl, ficou furioso e pulou para cima de mim. Acho que imaginei que ele iria ficar com medo, mas não deu.

Ao menos depois disso, eu passei a andar com os maiorais. Bem eram os maiorais da 6º série e eu logo fui arrumar briga com os malditos maiorais de 8º série. Durante uns seis meses eu tive que fugir dos grandões que me chamavam de espeto, graças ao meu tipo físico peculiar. Depois de seis meses eu havia virado o mascote dos maiorais e eles me deixaram em paz, mas...

Nessa idade, mudar de escola pode ser tão traumático quanto mudar de cidade. Saí do colégio São Paulo, na praia de Ipanema, para ir estudar em um colégio preparatório para Escola Naval, chamado Tamandaré, no Centro. Lá tinha marginal de tudo quanto é lugar!

Também nos primeiros meses eu arrumei briga com um sujeito magrinho. Eu, apesar de ainda ser o espeto, podia com ele. Avisei-o: "se continuar a me encher o saco, eu vou te quebrar!" O cara não me ouviu e, na hora da saída eu fui para cima dele. Ele fugiu de mim e só tomou um chute na bunda.

Fui para casa me achando, mas logo iria aprender a Quarta Lição do Carpa: os caras pequenos têm amigos gigantes!

No dia seguinte descobri que ele morava na Ilha de Paquetá e que ele tinha a simpatia de outros dois alunos moradores da Ilha. Um era um baiano parrudo de 1,90m que lutava boxe tailandês. O outro, que na hora me deixou mais apavorado, era o Hipocó, um sujeito estilo Tim Maia, de 160 Kg e que era faixa roxa de Jiu Jitsu. Para agravar a situação, esse cara era conhecido por ter batido em um professor. Era o meu Budd Revell.

Eu estava bebendo água no bebedouro quando fui abordado pelos dois simpáticos diplomatas. "É você que queria bater no Paquetá?" Na saída só o baianão me importunou. Tomei uma cabeçada no nariz (que na época já era grande) e aquilo doeu.
Quinta lição do Carpa é: Uma bela cabeçada é inesperada e dói tanto ou mais que um bom soco.

4 comentários:

O Robertinho disse...

HaHAhahaHAhaHAhAHahaHaHaHaa,

Agora eu ia te falar que eu também já tomei uma bela cabeçada inesperada....(realmente dói muito).
Mas vou deixar que só você permaneça como autor dessa frase perôba.
...humpf..
Mas que merda.... agora eu já falei também.

Braço

PS.: Ops.... novamente em tom de bronca: - Pára de andar de moto, bicho. Compra um fúca, um Ka...sei lá. Largue essa vida e ande com dignidade em dias de chuva.

Jack disse...

Me viu na Chuva ontem? Caralho, como chove aqui na Ásia de Monções!

Fred disse...

Esses posts estão trazendo algumas memórias de adolescência...
Algumas doloridas e outras cheias de moral. :)

QUEIROZ disse...

O lance do bairrismo é um dos motivos que eu não tenho a menor empolgação para querer ir prá sampa. Esse lanxi de dizerim que a genti fala axim, é chato. Mas, voltando ao tópico, é brabo né, a gente gosta de brigar e aparece aquele cara porrador. Por isso que eu tinha o mesmo hábito ruim do Azaghâl de brigar com meus amigos. E eu sempre lutei melhor então não me ferrava. Vou lá ler a parte 3.

 
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